Descrição
FORMAÇÃO COLABORATIVA: QUALIFICAÇÃO DE PRECEPTORES DE ESTÁGIO DO CURSO DE FARMÁCIA
Alice Menezes Barbosa
Universidade Federal de Juiz de Fora – Campus Governador Valadares
Maria Karoline Medeiros dos Santos
Universidade Federal de Juiz de Fora – Campus Governador Valadares
Maria Clara de Paula Rodrigues
Universidade Federal de Juiz de Fora – Campus Governador Valadares
Clara Fernandes Ferreira
Universidade Federal de Juiz de Fora – Campus Governador Valadares
Lauro César da Silva Maduro
Universidade Federal de Juiz de Fora – Campus Governador Valadares
Sabrina Cerqueira Santos
Universidade Federal de Juiz de Fora – Campus Governador Valadares
Larissa de Freitas Bonomo
Universidade Federal de Juiz de Fora – Campus Governador Valadares
Projeto: “FORMAÇÃO COLABORATIVA: QUALIFICAÇÃO DE PRECEPTORES DE ESTÁGIO DO CURSO DE FARMÁCIA”. Área temática: Saúde. Modalidade: relato de experiência em formato de resumo expandido.
Alice Menezes Barbosa - bolsista do projeto de extensão, integrante do Grupo de Estudos Interdisciplinar em Cuidado Farmacêutico (GEICF) e graduanda do curso de Farmácia pela Universidade Federal de Juiz de Fora, campus Governador Valadares. e-mail: alicemenezes.barbosa@estudante.ufjf.br.
Maria Karoline Medeiros dos Santos - voluntária do projeto de extensão, integrante do Grupo de Estudos Interdisciplinar em Cuidado Farmacêutico (GEICF) e graduanda do curso de Farmácia pela Universidade Federal de Juiz de Fora, campus Governador Valadares. e-mail:karolinemedeiros712@gmail.com.
Maria Clara de Paula Rodrigues - voluntária do projeto de extensão, integrante do Grupo de Estudos Interdisciplinar em Cuidado Farmacêutico (GEICF) e graduanda do curso de Farmácia pela Universidade Federal de Juiz de Fora, campus Governador Valadares. e-mail: mariaclara.depaulaa@hotmail.com.
Clara Fernandes Ferreira - voluntária do projeto de extensão, integrante do Grupo de Estudos Interdisciplinar em Cuidado Farmacêutico (GEICF) e graduanda do curso de Farmácia pela Universidade Federal de Juiz de Fora, campus Governador Valadares. e-mail: clarinha.7carol@hotmail.com.
Lauro César da Silva Maduro - Farmacêutico, professor do curso de Farmácia da Universidade Federal de Juiz de Fora - Campus Governador Valadares (UFJF-GV) e pesquisador do Grupo de Estudos Interdisciplinar em Cuidado Farmacêutico (GEICF). E-mail: lauro.maduro@ufjf.br.
Sabrina Cerqueira Santos - Farmacêutica, Mestra e Doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas (PPGCF) da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Professora do curso de Farmácia da Universidade Federal de Juiz de Fora - Campus Governador Valadares (UFJF-GV) e pesquisadora do Grupo de Estudos Interdisciplinar em Cuidado Farmacêutico (GEICF). E-mail: sabrina.cerqueira@ufjf.br
Larissa de Freitas Bonomo - Farmacêutica, Mestra e Doutora pelo Programa de Pós-Graduação Núcleo de Pesquisas em Ciências Biológicas (NUPEB) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Professora do curso de Farmácia da Universidade Federal de Juiz de Fora - Campus Governador Valadares (UFJF-GV) e pesquisadora do Grupo de Estudos Interdisciplinar em Cuidado Farmacêutico (GEICF). E-mail: larissafreitas.bonomo@ufjf.br
Palavras-chave: Dispensação de medicamentos. Educação permanente em saúde. Extensão universitária. Assistência farmacêutica. Integração ensino-serviço.
- INTRODUÇÃO
A dispensação de medicamentos é um serviço que exige um raciocínio clínico e não se limita à entrega do produto prescrito. Trata-se de uma oportunidade de avaliar aspectos técnicos e legais da prescrição, compreender as necessidades da pessoa que utilizará o medicamento e fornecer orientações que favoreçam o uso correto, seguro e efetivo da farmacoterapia (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA, 2016). Entretanto, diferentes condições organizacionais e estruturais podem dificultar a realização de todas as etapas do processo de cuidado e comprometer a qualidade da assistência prestada aos usuários.
No Sistema Único de Saúde (SUS), a dispensação integra a assistência farmacêutica e precisa ser compreendida em articulação com o acesso aos medicamentos, a continuidade do cuidado e a promoção do uso racional. O Conselho Federal de Farmácia, ao sistematizar o arcabouço conceitual dos serviços farmacêuticos, enfatiza que a prática deve ser orientada às necessidades do paciente, da família e da comunidade, incluindo a avaliação da prescrição, a orientação para o uso adequado e a identificação de situações que demandem intervenção ou encaminhamento (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA, 2016). Nessa perspectiva, a comunicação e a verificação da compreensão do usuário são componentes relevantes, e não etapas acessórias do atendimento.
A literatura sobre formação em saúde também destaca a importância de aproximar universidade, serviços e comunidade, de modo que a aprendizagem seja construída em contato com os desafios concretos do trabalho. Biscarde, Pereira-Santos e Silva (2014) discutem a extensão universitária como espaço de articulação entre conhecimento e intervenção social, enquanto Reeves (2016) ressalta a relevância da educação interprofissional para uma assistência segura e efetiva. Embora a atividade aqui relatada tenha sido direcionada especificamente à dispensação farmacêutica, sua organização se insere em uma proposta extensionista mais ampla, voltada à qualificação de profissionais que participam da formação em saúde e à valorização da troca entre os saberes acadêmicos e os conhecimentos produzidos na prática.
O projeto “Qualificação das Preceptorias da Atenção Básica sob a Perspectiva da Educação e Trabalho Interprofissional e Práticas Colaborativas em Saúde”, vinculado à Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), campus Governador Valadares, tem como objetivo geral qualificar preceptorias no contexto da educação e do trabalho interprofissional em saúde, favorecendo o desenvolvimento de competências colaborativas. Seu plano de trabalho prevê ações formativas baseadas em metodologias ativas e na problematização de situações do cotidiano dos serviços, com vistas ao fortalecimento da integração ensino-serviço-comunidade. No decorrer da execução, a equipe identificou a possibilidade de desenvolver uma oficina voltada à dispensação de medicamentos, considerando a relevância dessa prática para a assistência farmacêutica e a necessidade de discutir dificuldades enfrentadas pelos profissionais no contexto real de trabalho.
Diante disso, este relato tem por objetivo descrever e analisar a experiência de planejamento, realização e avaliação de uma oficina de qualificação sobre dispensação de medicamentos, desenvolvida em 26 de junho de 2026, na Unidade Anhanguera, em Governador Valadares, com a participação de aproximadamente 19 farmacêuticos da rede municipal. Busca-se registrar tanto a estratégia pedagógica utilizada quanto os aprendizados, as dificuldades relatadas pelos participantes e as contribuições percebidas para a formação discente e para a aproximação entre universidade e serviço. - DESENVOLVIMENTO
2.1 Contexto e articulação com o serviço
A oficina foi organizada por uma equipe extensionista composta, à época, por três docentes e quatro discentes do curso de Farmácia da UFJF, campus Governador Valadares. As quatro alunas participaram da organização da atividade, incluindo a preparação do encontro e dos materiais utilizados. Os docentes contribuíram com a revisão do conteúdo, o aprimoramento da proposta pedagógica e a mediação das discussões durante a realização da oficina. Essa divisão de responsabilidades permitiu que as estudantes participassem ativamente de diferentes etapas do processo, com apoio e supervisão docente.
Inicialmente, a equipe planejou direcionar as atividades aos profissionais da rede privada considerando que os estudantes realizavam estágios nesses estabelecimentos e que, a partir dessas vivências, eram percebidas demandas relacionadas à dispensação. A equipe buscou contato e encaminhou opções de datas para verificar a disponibilidade dos profissionais. Contudo, não houve retorno que permitisse confirmar a participação ou avançar na organização da oficina com esse público. Essa dificuldade de mobilização exigiu a revisão do planejamento e a busca por outro parceiro capaz de viabilizar a atividade.
Como alternativa, a equipe entrou em contato com a coordenadora da Assistência Farmacêutica do município de Governador Valadares, e realizou uma reunião para apresentar a proposta, a dinâmica prevista e os objetivos da ação. A coordenadora acolheu a iniciativa e sinalizou que uma qualificação voltada à dispensação seria pertinente às necessidades dos farmacêuticos da rede municipal. Após a reunião, foram encaminhadas as datas possíveis para realização da oficina, e a coordenação municipal compartilhou o convite por e-mail com os farmacêuticos das farmácias distritais. Os profissionais vinculados ao componente especializado não puderam participar, de modo que a atividade foi direcionada aos farmacêuticos das farmácias distritais do município.
Essa etapa de articulação evidenciou que a extensão requer flexibilidade para negociar formatos, reconhecer os fluxos dos serviços e ajustar a proposta às condições de participação dos trabalhadores. A ausência de adesão inicial não inviabilizou o objetivo formativo; ao contrário, levou a equipe a construir uma parceria institucional que possibilitou reunir aproximadamente 19 farmacêuticos municipais. A experiência também mostrou a importância da participação da gestão local na mobilização dos profissionais e na identificação de necessidades relevantes para o serviço.
2.2 Preparação teórico-metodológica
A preparação da oficina partiu do objetivo de discutir a dispensação como processo de cuidado e não apenas como entrega de medicamentos. Para estruturar o conteúdo, a equipe utilizou como referências o algoritmo de dispensação de Rocha et al. (2018), o arcabouço conceitual do Programa de Suporte ao Cuidado Farmacêutico na Atenção à Saúde (ProFar), publicado pelo Conselho Federal de Farmácia (2016), e os objetivos definidos no plano de trabalho do projeto de extensão. Esses materiais apoiaram a organização dos pontos centrais da atividade: avaliação da prescrição e da situação apresentada, identificação das necessidades de informação do paciente, orientação sobre o uso do medicamento e confirmação de que as orientações foram compreendidas.
O algoritmo utilizado como referência organiza o raciocínio clínico da dispensação por meio de perguntas e decisões que ajudam o farmacêutico a identificar informações necessárias, avaliar o entendimento do paciente e orientar sobre o uso do medicamento. Já o ProFar compreende os serviços farmacêuticos a partir de um processo de cuidado sistemático, orientado às necessidades da pessoa, que envolve acolhimento, identificação das necessidades de saúde, planejamento das condutas e avaliação dos resultados (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA, 2016). Na oficina, esses referenciais foram traduzidos para uma atividade prática, de modo que os participantes pudessem observar e discutir como as etapas do cuidado aparecem em uma situação de dispensação.
A escolha de uma metodologia ativa foi coerente com a proposta do projeto, que prevê a problematização de situações do cotidiano e a construção coletiva do conhecimento. Em vez de restringir o encontro a uma exposição teórica, a equipe organizou uma simulação de atendimento, seguida de discussão. Essa estratégia possibilitou aos participantes analisar a comunicação entre profissional e paciente e refletir sobre os aspectos necessários para uma orientação mais completa. A atividade também valorizou o conhecimento prático dos farmacêuticos, promovendo a articulação entre os conhecimentos teóricos e as situações vivenciadas no cotidiano profissional.
2.3 Realização da oficina
A oficina ocorreu em 26 de junho de 2026, na Unidade Anhanguera, em Governador Valadares, com aproximadamente 19 farmacêuticos das farmácias distritais municipais. No início, a equipe apresentou seus integrantes — três docentes e quatro alunas —, os objetivos do projeto de extensão e a dinâmica planejada para o encontro. Em seguida, foi introduzido o conceito de dispensação e discutida sua relação com as etapas do cuidado farmacêutico, enfatizando que as intervenções devem ser realizadas a partir das necessidades do usuário. Após a contextualização inicial, foi realizado um role-playing (simulação de papéis) sobre a dispensação de um antimicrobiano em suspensão. Os participantes foram distribuídos em grupos e assumiram os papéis de farmacêutico, paciente e observadores. O caso apresentava dúvidas por parte da paciente, e a proposta era observar se o profissional, durante o atendimento, forneceria orientações fundamentais mesmo sem aguardar que a pessoa perguntasse espontaneamente. Entre os pontos a serem observados estavam o preparo e a administração da suspensão, a dose, a duração do tratamento e os possíveis efeitos adversos. A dinâmica permitiu analisar a dispensação a partir de diferentes perspectivas: a atuação de quem orientava, a experiência de quem recebia a orientação e a observação sistemática da comunicação e das informações oferecidas.
O papel dos observadores foi especialmente relevante porque deslocou a atenção para a integralidade da orientação. A avaliação não se limitava a verificar se o medicamento seria entregue, mas se o atendimento contemplaria informações necessárias para o uso correto e seguro. A simulação também permitiu refletir sobre a iniciativa do farmacêutico em antecipar dúvidas previsíveis e confirmar a compreensão do usuário. Esse aspecto é importante porque o silêncio do paciente não significa, necessariamente, que ele compreendeu as orientações ou que não tenha dificuldades para utilizar o medicamento.
Concluída a simulação, a equipe abriu espaço para reflexão coletiva sobre como seria uma dispensação ideal e sobre a distância que pode existir entre os referenciais técnicos e as condições reais de trabalho. Os farmacêuticos contribuíram relatando dificuldades encontradas no cotidiano das farmácias distritais. Entre os aspectos mencionados estavam barreiras físicas no momento da dispensação, falta de medicamentos, usuários com dificuldade para compreender o funcionamento do sistema e apresentação de receitas que não correspondiam ao fluxo esperado de atendimento pelo SUS. Também foi destacada a sobrecarga de trabalho, que reduz o tempo disponível para uma orientação individualizada e dificulta a execução de todas as etapas consideradas desejáveis.
A discussão não foi conduzida como uma cobrança individual aos profissionais, mas como uma oportunidade de compreender os fatores que interferem no trabalho. Os relatos mostraram que a qualidade da dispensação depende da competência técnica e das habilidades de comunicação do farmacêutico, mas também das condições estruturais, da organização do serviço, da disponibilidade de medicamentos, dos fluxos de atendimento e das necessidades de cada usuário. A partir dessas contribuições, os participantes e a equipe refletiram sobre possibilidades de melhoria, reconhecendo tanto a importância de aprimorar as práticas profissionais quanto os limites impostos pelo contexto de trabalho.
Ao final, a equipe agradeceu a participação dos profissionais e solicitou uma avaliação da atividade. Além da manifestação oral de satisfação de diversos participantes, foi encaminhado um formulário para avaliação e registro de sugestões. Aproximadamente nove participantes responderam ao instrumento. As devolutivas foram descritas pela equipe e incluíram comentários sobre a importância da aproximação entre universidade e comunidade profissional, especialmente para trabalhadores formados há mais tempo e que reconheciam a necessidade de atualização. Entre as sugestões registradas, destacou-se a realização de novas oficinas, com abordagem de temas como antimicrobianos, normas e resoluções sanitárias, incluindo as resoluções da Anvisa.
2.4 Resultados e discussão
Os resultados da experiência podem ser compreendidos em três dimensões complementares: a aprendizagem favorecida pela simulação, a identificação de barreiras organizacionais à dispensação e o fortalecimento do vínculo entre universidade e serviço. Na dimensão pedagógica, o role-playing possibilitou explorar aspectos da comunicação e do atendimento que nem sempre são evidenciados em abordagens exclusivamente teóricas. . Ao assumir diferentes papéis, os participantes tiveram a oportunidade de analisar a dispensação sob o ponto de vista de quem orienta, de quem recebe a orientação e de quem observa a interação. A atividade favoreceu a discussão sobre a responsabilidade do farmacêutico de apresentar informações essenciais de forma compreensível, inclusive quando o paciente não formula perguntas específicas.
A abordagem dialoga com o arcabouço do ProFar, que apresenta a dispensação como um serviço farmacêutico diretamente destinado ao paciente, à família e à comunidade, orientado ao acesso e ao uso adequado de medicamentos (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA, 2016). Também se aproxima do algoritmo de dispensação utilizado na preparação da oficina, ao destacar a necessidade de investigar o entendimento do usuário e oferecer orientações relacionadas à utilização do medicamento. No caso simulado, a atenção ao preparo, administração, dose, duração do tratamento e efeitos adversos permitiu discutir a dispensação como uma prática clínica, que exige julgamento profissional e adequação da linguagem ao usuário.
Ao mesmo tempo, os relatos dos farmacêuticos evitaram que a discussão sobre a dispensação ideal se tornasse abstrata ou descontextualizada. As barreiras físicas, a falta de medicamentos, as dificuldades de compreensão dos usuários e a sobrecarga de trabalho demonstraram que a execução do cuidado é influenciada por fatores que ultrapassam a atuação individual. Assim, uma análise crítica da qualidade da dispensação precisa considerar tanto as competências do profissional quanto a organização dos serviços e as condições materiais em que o trabalho acontece. A oficina não solucionou essas barreiras estruturais, mas permitiu nomeá-las, compartilhá-las e refletir coletivamente sobre possibilidades de enfrentamento dentro dos limites existentes.
Essa reflexão é relevante para a educação permanente em saúde, entendida como uma estratégia que toma o processo de trabalho como fonte de aprendizagem e problematização. Em vez de tratar os profissionais apenas como destinatários de informações, a atividade reconheceu suas experiências como parte do conhecimento necessário para analisar problemas e construir alternativas. Essa lógica converge com a proposta extensionista descrita no plano do projeto, que valoriza metodologias ativas, discussão de situações do cotidiano e integração entre ensino e serviço. A extensão, nessa perspectiva, não consiste em uma transferência unilateral de conhecimentos da universidade para os serviços, mas em um encontro no qual os referenciais acadêmicos são colocados em diálogo com a experiência dos trabalhadores.
A aproximação entre universidade e rede municipal foi outro resultado importante. A articulação com a coordenação da Assistência Farmacêutica tornou possível organizar a participação dos profissionais e adequar o público à realidade institucional. Os comentários recebidos ao final da oficina indicaram que os participantes valorizaram o espaço de troca e a possibilidade de atualização. A sugestão de novas atividades sobre antimicrobianos, normas e resoluções sanitárias aponta, ainda, que a oficina despertou interesse em outras oportunidades formativas. Para as quatro alunas envolvidas, a experiência proporcionou aprendizagem em planejamento e execução de atividade educativa, organização de materiais, articulação institucional e condução de discussões sobre a prática farmacêutica. A participação na preparação exigiu transformar conceitos e referências em uma proposta pedagógica adequada ao público, enquanto o contato com os relatos dos profissionais ampliou a compreensão sobre os limites e desafios da assistência farmacêutica municipal. A atuação conjunta com os docentes também possibilitou vivenciar o trabalho colaborativo entre estudantes e professores na construção de uma ação extensionista.
A experiência apresentou limitações que devem ser reconhecidas. A primeira foi a dificuldade inicial de mobilização dos profissionais da rede privada, que levou à reformulação do público-alvo. A segunda foi a participação parcial na avaliação escrita, pois cerca de nove profissionais responderam ao formulário. A terceira diz respeito ao alcance da atividade: foi realizada uma oficina, e os resultados relatados se referem à percepção imediata dos participantes e aos aprendizados identificados pela equipe, sem avaliação longitudinal do impacto sobre a prática de dispensação. Essas limitações não anulam a relevância da ação, mas delimitam o alcance das conclusões e indicam caminhos para o aprimoramento de futuras oficinas.
Como perspectiva de continuidade, as sugestões dos participantes podem orientar a construção de novas ações formativas, especialmente sobre antimicrobianos, legislação sanitária e resoluções aplicáveis aos serviços farmacêuticos. Também seria pertinente incorporar instrumentos de avaliação que permitam comparar expectativas e aprendizagens antes e depois das atividades, além de estratégias de acompanhamento que investiguem a aplicação dos conteúdos no cotidiano. O projeto permanece em andamento, atualmente com outra equipe, o que reforça a possibilidade de que as demandas identificadas sejam consideradas no planejamento das próximas ações. - CONCLUSÕES
A oficina de qualificação sobre dispensação de medicamentos, realizada em 26 de junho de 2026, na Unidade Anhanguera, em Governador Valadares, constituiu uma experiência de integração entre universidade e serviço municipal de saúde. A partir da participação de aproximadamente 19 farmacêuticos das farmácias distritais, a atividade combinou apresentação conceitual, simulação e reflexão coletiva sobre os desafios da dispensação no cotidiano do SUS.
A simulação de dispensação de um antimicrobiano em suspensão favoreceu a discussão sobre a necessidade de orientar o usuário quanto ao preparo e à administração, à dose, à duração do tratamento e aos possíveis efeitos adversos, sem depender exclusivamente das perguntas formuladas pelo paciente. A discussão posterior evidenciou que a dispensação ideal é influenciada por barreiras estruturais e organizacionais, como a falta de medicamentos, as condições físicas do atendimento, as dificuldades de compreensão dos usuários e a sobrecarga de trabalho. Reconhecer esses fatores foi essencial para uma análise realista da prática profissional.
Os retornos recebidos ao final da oficina indicaram valorização da iniciativa e interesse em novas oportunidades de qualificação, com destaque para temas relacionados a antimicrobianos e normas sanitárias. Embora o número de respostas ao formulário e a ausência de acompanhamento posterior limitem a avaliação do impacto, a experiência demonstrou o potencial de metodologias participativas para promover reflexão crítica, troca de saberes e aproximação entre a formação acadêmica e as necessidades do serviço.
Para as discentes, a ação contribuiu para o desenvolvimento de habilidades de planejamento, comunicação, organização e trabalho em equipe, além de aproximar a formação farmacêutica das condições concretas em que a assistência é realizada. Conclui-se que oficinas construídas a partir de demandas do serviço podem fortalecer a educação permanente e a integração ensino-serviço-comunidade, desde que sejam acompanhadas de articulação institucional, escuta dos profissionais e avaliação compatível com os objetivos propostos. - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BISCARDE, Daniela Gomes dos Santos; PEREIRA-SANTOS, Marcos; SILVA, Lúcia Beatriz. Formação em saúde, extensão universitária e Sistema Único de Saúde (SUS): conexões necessárias entre conhecimento e intervenção centradas na realidade e repercussões no processo formativo. Interface – Comunicação, Saúde, Educação, v. 18, p. 177-186, 2014.
CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. Serviços farmacêuticos diretamente destinados ao paciente, à família e à comunidade: contextualização e arcabouço conceitual. Brasília, DF: Conselho Federal de Farmácia, 2016. Disponível em: https://www.cff.org.br/userfiles/Profar_Arcabouco_TELA_FINAL.pdf. Acesso em: 15 out. 2026.
REEVES, Scott. Why we need interprofessional education to improve the delivery of safe and effective care. Interface – Comunicação, Saúde, Educação, v. 20, p. 185-197, 2016.
ROCHA, Kérilin Stancine Santos et al. Development and content validation of an instrument to support pharmaceutical counselling for dispensing of prescribed medicines. Journal of Evaluation in Clinical Practice, v. 26, n. 1, p. 134-141, 2020.
| Horário/ Turno de apresentação | sexta-feira 9 às 10:30 |
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